
Medicamentos conhecidos popularmente como “canetas emagrecedoras” estão no centro de novas pesquisas que investigam uma possível relação entre o uso dessas substâncias e a redução da ocorrência de determinados tipos de câncer.
O assunto foi discutido pelo oncologista clínico Gustavo Fernandes, vice-presidente de Oncologia da Rede Américas e profissional do Hospital Brasília, durante o programa CB.Saúde, do Correio Braziliense. O especialista comentou resultados de um estudo publicado na revista científica Annals of Oncology.
A pesquisa analisou pessoas com obesidade, mas sem hipertensão ou diabetes, e identificou uma associação entre o uso de medicamentos da classe dos agonistas de GLP-1 e uma menor frequência de 13 tipos de câncer relacionados à obesidade. Os participantes que utilizavam esses medicamentos também apresentaram maior perda de peso em comparação com pessoas obesas que não faziam uso das substâncias.
Relação entre obesidade e câncer
A obesidade é considerada um fator de risco para diversos tipos de câncer. Por isso, os pesquisadores vêm estudando se os efeitos metabólicos provocados pelos medicamentos que atuam sobre o GLP-1 podem ter alguma influência também sobre o desenvolvimento de tumores.
Uma das hipóteses é que a redução do peso, da inflamação e de alterações metabólicas possa contribuir indiretamente para diminuir alguns riscos associados à obesidade.
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Pesquisas recentes também investigam se essas substâncias poderiam apresentar efeitos relacionados diretamente aos mecanismos dos tumores. Entretanto, essa possibilidade ainda está sendo estudada.
Resultado ainda não significa prevenção comprovada
Apesar dos resultados chamarem atenção, especialistas reforçam que não é possível afirmar que as canetas emagrecedoras previnem o câncer.
Uma análise do A.C. Camargo Cancer Center destaca que estudos observacionais encontraram associação entre o uso de agonistas de GLP-1 e menor risco de alguns tumores relacionados à obesidade, mas esse tipo de pesquisa não consegue provar que o medicamento seja responsável pela redução do risco.
Outras pesquisas também apontam limitações semelhantes. Os resultados podem ser influenciados por fatores como perda de peso, acompanhamento médico mais frequente, mudanças no estilo de vida e controle de outras condições de saúde.
Novos estudos serão necessários
A relação entre medicamentos à base de GLP-1 e câncer é considerada uma área importante de investigação. Estudos apresentados em 2026 também levantaram a possibilidade de que essas substâncias estejam relacionadas a menor risco de progressão ou de metástase em alguns tipos de câncer.
Por enquanto, porém, os pesquisadores defendem a realização de estudos clínicos mais robustos para confirmar os resultados e entender quais mecanismos podem estar envolvidos.
A recomendação é que medicamentos sejam utilizados somente com indicação e acompanhamento de profissionais de saúde, respeitando as indicações aprovadas para cada tratamento.
A descoberta abre uma nova frente de pesquisa na relação entre obesidade, metabolismo e câncer, mas ainda não representa uma nova indicação desses medicamentos para prevenção de tumores.




