Rádio Super FM 89.1

Notícia

Geral

Notícias/Geral04/09/2026· Local

Fim da “taxa das blusinhas” preocupa indústria e comércio de Santa Catarina e pode ameaçar empregos

A decisão de acabar com a chamada “taxa das blusinhas” vem provocando preocupação entre representantes da indústria e do comércio de Santa Catarina. A Federação das Indústrias de Santa Catarina (FIESC) avalia que a mudança pode aumentar a concorrência de produtos importados e pressionar principalmente micro e pequenas empresas, com possíveis impactos sobre empregos e a produção nacional.

A chamada “taxa das blusinhas” foi criada para estabelecer uma cobrança de 20% sobre compras internacionais de até US$ 50. A medida buscava reduzir a diferença tributária entre produtos vendidos por empresas brasileiras e mercadorias adquiridas diretamente de plataformas estrangeiras.

Com a aprovação do fim da cobrança pelo Congresso, as compras internacionais dentro desse limite deixam de pagar o imposto federal, embora outros tributos, como o ICMS estadual, continuem sendo aplicados.

Indústria teme perda de competitividade

Para o setor produtivo catarinense, o principal problema está na diferença de condições entre empresas brasileiras e vendedores estrangeiros.

A FIESC argumenta que a redução da tributação sobre produtos importados pode tornar ainda mais difícil a competição para fabricantes nacionais, especialmente nos segmentos que possuem forte presença de pequenos negócios.

A preocupação também é compartilhada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), que estima que o fim da cobrança poderá colocar mais de 100 mil empregos em risco. A entidade afirma que a manutenção de uma tributação equilibrada é importante para preservar a competitividade da produção nacional.

Comércio também pode sentir os efeitos

O comércio brasileiro enfrenta um cenário semelhante. Segundo entidades do setor, a entrada de produtos estrangeiros com menor carga tributária pode aumentar a concorrência com lojas que mantêm estruturas físicas, funcionários e outros custos no Brasil.

O debate ganhou força justamente em um momento em que o comércio varejista já enfrenta desafios relacionados aos juros elevados e ao crescimento das vendas pela internet. Dados recentes mostram redução no número de vagas formais no varejo durante 2026.

Consumidor pode encontrar produtos mais baratos

Do outro lado da discussão estão os consumidores e empresas ligadas ao comércio eletrônico internacional. A retirada do imposto tende a reduzir o custo das compras de pequeno valor, embora o preço final dependa também das políticas adotadas pelas plataformas e da cobrança de tributos estaduais.

Pesquisa citada durante o debate mostra forte apoio dos consumidores ao fim da cobrança, principalmente entre pessoas que utilizam plataformas internacionais para comprar produtos a preços mais baixos.

Debate divide setores da economia

O fim da “taxa das blusinhas” passou a dividir opiniões. Enquanto representantes da indústria e do comércio defendem que a cobrança ajudava a proteger empresas e empregos brasileiros, representantes do comércio eletrônico argumentam que a redução dos impostos amplia o acesso da população a produtos de menor preço e fortalece o consumo.

Um estudo da LCA Consultoria Econômica apontou que, mesmo após a suspensão da taxa, houve criação de empregos formais no Brasil entre maio e junho de 2026. Ao mesmo tempo, comércio e indústria registraram redução de vagas em determinados segmentos, enquanto o setor de logística apresentou crescimento nas contratações.

Em Santa Catarina, onde a indústria possui participação importante na economia, o tema preocupa especialmente setores que enfrentam forte concorrência de produtos importados. A expectativa agora é acompanhar os efeitos da mudança sobre preços, vendas, produção e geração de empregos nos próximos meses.