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Notícias/Geral23/08/2026· Local

Presidente eleito terá desafio de costurar pacto político para enfrentar pressão sobre as contas públicas

Crise fiscal deve estar entre as primeiras prioridades do próximo governo; especialistas defendem articulação com o novo Congresso para recuperar a confiança e conter o avanço da dívida

O presidente que for eleito nas eleições de 2026 deverá assumir o Palácio do Planalto diante de um dos maiores desafios econômicos dos últimos anos: reorganizar as contas públicas e recuperar a confiança na trajetória fiscal do país.

Especialistas avaliam que uma das primeiras medidas do próximo governo deverá ser a construção de um pacto político com o novo Congresso Nacional, criando condições para a aprovação de medidas capazes de controlar o crescimento das despesas e estabilizar a dívida pública.

O alerta ocorre em meio a um cenário considerado delicado. De acordo com os dados apresentados na reportagem do JMais, a dívida bruta do Brasil chegou a 81,9% do Produto Interno Bruto (PIB), equivalente a aproximadamente R$ 10,8 trilhões. O percentual representa o maior nível desde abril de 2021.

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Ajuste das contas deve ser prioridade

Para os especialistas, apenas promessas de equilíbrio fiscal não serão suficientes. O próximo governo precisará apresentar medidas concretas para reduzir despesas e demonstrar capacidade de cumprir uma trajetória sustentável para as contas públicas.

A preocupação é que a deterioração fiscal tenha efeitos que ultrapassem os números do orçamento. Entre os possíveis impactos estão a manutenção de juros elevados, pressão sobre a inflação, desvalorização do real e redução dos investimentos, além de dificuldades enfrentadas por empresas e setores produtivos.

O cenário também preocupa o setor agropecuário e empresas brasileiras. A reportagem destaca o aumento das recuperações judiciais no agronegócio e da inadimplência empresarial como sinais dos efeitos que um ambiente econômico mais pressionado pode provocar.

Congresso será peça-chave

Nesse contexto, a relação entre o futuro presidente e o Congresso deverá ter papel decisivo. A avaliação de especialistas é que medidas de maior impacto fiscal dependerão de negociação política e da construção de uma maioria capaz de aprovar mudanças.

A discussão deverá envolver não apenas cortes de despesas, mas também regras fiscais, gastos obrigatórios e outras medidas estruturais necessárias para tentar estabilizar a dívida.

O debate sobre o ajuste fiscal já aparece entre os principais temas econômicos da corrida presidencial. Análises recentes apontam que o próximo governo terá de conciliar a necessidade de reorganizar as contas públicas com o risco de frear excessivamente a atividade econômica.

Decisões podem influenciar juros e investimentos

A percepção de risco fiscal também interfere diretamente nas condições financeiras do país. Quanto maior a desconfiança em relação à capacidade do governo de controlar as contas, maior tende a ser a pressão sobre juros e ativos brasileiros.

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou recentemente que um ajuste fiscal mais rigoroso é necessário para criar condições para a redução dos juros e para fortalecer a estabilidade econômica.

Dessa forma, o resultado das eleições de 2026 não deverá definir apenas quem comandará o país pelos próximos quatro anos. Também deverá determinar qual estratégia será adotada para enfrentar o desequilíbrio fiscal e reconstruir a confiança na economia brasileira.

Para especialistas, o primeiro grande teste do presidente eleito poderá acontecer antes mesmo da posse: construir uma base política suficientemente forte para transformar o discurso de responsabilidade fiscal em medidas efetivas.

No Planalto Norte catarinense, decisões relacionadas a juros, inflação, crédito e atividade econômica também podem ter reflexos sobre empresas, consumidores e produtores rurais, especialmente em um cenário de custos elevados e necessidade de investimentos