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Notícias/Geral22/09/2026· Local

Você já ouviu falar que fincar um machado no chão poderia ajudar a afastar a chuva?

A história parece curiosa, mas faz parte daquele universo de crenças e costumes populares que atravessaram gerações e ainda despertam a curiosidade de muita gente, especialmente nas comunidades rurais.

O assunto virou pauta de uma conversa na Super FM e chamou a atenção de Vinícius de Matos, que decidiu buscar mais informações sobre a origem dessa tradição e entender como práticas desse tipo se relacionam com a cultura da nossa região.

A simpatia é baseada em uma ideia simbólica: o machado é uma ferramenta de corte e, dentro do imaginário popular, ele poderia representar a possibilidade de “cortar” ou interromper a chuva. Não há comprovação científica de que esse costume tenha qualquer efeito sobre o tempo. Trata-se de uma crença popular.

Mas a história fica ainda mais interessante quando olhamos para o Planalto Norte Catarinense.

A região possui uma formação cultural bastante diversa. Antes dos processos de colonização, o território era habitado por povos indígenas, entre eles Kaingang e Xokleng/Laklãnõ. Depois, o Caminho das Tropas passou pela região e contribuiu para a circulação e fixação de diferentes grupos. Ao longo do tempo, também chegaram imigrantes europeus, enquanto se consolidava uma população cabocla com características culturais próprias.

A cultura cabocla do Planalto Catarinense foi marcada pela transmissão oral de conhecimentos, costumes, histórias, crenças e práticas do cotidiano. Pesquisadores destacam que esses saberes eram passados de geração em geração, muitas vezes por meio da memória e da convivência entre familiares e vizinhos.

Documentos do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, o IPHAN, também registram a importância das crenças, superstições, benzimentos, simpatias e rezas dentro dos saberes tradicionais da cultura cabocla catarinense.

No Planalto Norte, essa herança cultural também está relacionada às tradições religiosas e ao imaginário em torno de figuras como São João Maria, além de costumes ligados à vida rural, à natureza, ao trabalho comunitário e à memória das antigas comunidades.

Por isso, mais do que perguntar se o machado realmente “espanta” a chuva, a curiosidade pode servir para lembrar como os costumes populares ajudam a contar a história de uma região.

E agora fica a pergunta para os ouvintes da Super FM:

Na sua família alguém já fez essa simpatia? Você já ouviu falar de alguém que fincava um machado no chão quando a chuva apertava?

Porque, no fim das contas, cada família guarda uma história — e muitas dessas histórias ajudam a preservar a memória cultural do nosso Planalto Norte.